quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O RETORNO DA DEUSA

Feminino e Masculino são componentes do Ser, sejam eles hormônios ou valores. Este Ser integral, no entanto, vagarosamente, foi sendo dividido pela sociedade patriarcal, que o reduziu apenas aos valores determinados culturalmente. Desta forma, poder, força, ordem, dever, competitividade, razão, lógica, abstração, que são valores genuinamente masculinos, ficaram restritos ao homem. Os valores femininos tais como, emoção, sensibilidade, intuição, perdão, cooperação, sensualidade, fertilidade, cuidado em relação ao outro, que são valores atribuídos ao sexo feminino, ficaram restritos à mulher. A partir desta verdadeira “cirurgia cultural”, o feminino passou a ser indistintamente sinônimo de mulher, assim como masculino de homem. Em ambos os casos o Ser ficou restrito apenas a uma parte dos seus atributos.

Esta destinação cultural dos atributos humanos só recentemente começou a ser desmistificada. Quem de nós não conhece inúmeros exemplos de mulheres extremamente competitivas, que não hesitam em usar sua força e seu poder para atingir seus objetivos, mesmo que a custa da destruição do outro, ou da outra? Da mesma forma que, quem de nós não poderia citar inúmeros exemplos de homens intuitivos, sensíveis, que pautam suas vidas pelo profundo sentimento de cooperação e pelo cuidado em relação ao outro? Também não é difícil compreender que os valores femininos e masculinos inerentes ao Ser não se referem às opções sexuais de cada um.

Para ser sensível, o homem não precisa renunciar à sua masculinidade, tampouco a mulher, para fazer uso da lógica, da razão e da abstração, não precisa deixar de ser feminina. Hoje estamos descobrindo que os valores inerentes ao feminino e ao masculino guardam uma relação muito mais profunda com a postura ética de cada um, com sua visão de mundo e com seu crescimento interior. Nos mais variados mitos da criação os povos se referenciam ao masculino como sendo Ouranos, o Céu, e ao feminino como sendo Gaia, a Terra, de cuja união tudo se originou. Masculino e feminino, portanto, fazem parte do transcendente.

Para a consolidação da exclusividade masculina, o patriarcado teve que esmagar seu principal inimigo, o feminino. Mais do que a mulher, o feminino é que metia medo aos homens. Era esse lado sensível, intuitivo, curador e místico, que as mulheres possuem e alguns homens também, que precisava ser esmagado para que a Era da Razão se impusesse plenamente.

Cristo, nunca pregou a superioridade masculina. Em seus ensinamentos Jesus anuncia a igualdade fundamental entre o homem e a mulher, postura revolucionária para a época.

Contrariando os costumes do seu tempo, Jesus, cerca-se de mulheres em suas atividades públicas, conversa com elas, trata-as como pessoas, sobretudo quando são desprezadas pelos costumes da época, ou apedrejadas pelos “túmulos caiados”. Apesar desta ser a mensagem do Mestre, até mesmo os apóstolos tiveram dificuldades em assimilar seus ensinamentos e superar os preconceitos ditados pela sociedade patriarcal.

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