domingo, 27 de junho de 2010

MESTRE DALAI LAMA LEONARDO BOFF

No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos,
na qual ambos participávamos, eu, maliciosamente, mas também com
interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:

— Santidade, qual é a melhor religião? Esperava que ele dissesse:
"É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas
do que o cristianismo".

O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos
olhos — o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia
contida na pergunta — e afirmou:  — A melhor religião é aquela que te faz
melhor.

Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:
— O que me faz melhor?

— Aquilo que te faz mais compassivo [e aí senti a ressonância tibetana,
budista, taoísta de sua resposta], aquilo que te faz mais sensível, mais
desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável  ...
A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião...

Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta
sábia e irrefutável.

CHICO XAVIER E O LSD

Em outubro de 1958, Chico tomou uma decisão surpreendente: iria experimentar o ácido lisérgico. Perguntou a Emmanuel se ele poderia fazer a experiência com amigos de Belo Horizonte. O guia se ofereceu para promover a "viagem". À noite, Chico se sentiu fora do corpo, Emmanuel se aproximou dele, colocou uma bebida branca num copo e explicou: era um alcalóide capaz de produzir o mesmo efeito do LSD.

Chico engoliu a bebida, um tanto amarga, e começou a se sentir mal, como se estivesse entrando num pesadelo. Animais monstruosos se aproximavam e cenas assustadoras desfilavam diante de seus olhos. Ele acordou com mal-estar. O sol parecia uma fogueira e o irritava, as pessoas o cercavam, desfiguradas. À noite, Emmanuel reapareceu com a lição psicodélica: o alcalóide refletia seu estado mental.

Chico quis saber como recuperar a tranqüilidade e escapar da ressaca. Receita: oração, silêncio e caridade, para colher vibrações positivas. Chico seguiu as dicas à risca. Começou a visitar doentes pobres, a atrair bons fluidos e, durante cinco dias, trabalhou para se refazer. No sexto dia ele se sentiu melhor. À noite, Emmanuel voltou e propôs repetir a experiência com o mesmo alcalóide. Mesmo desconfiado, o discípulo concordou. O efeito foi surpreendente: alegria profunda.

Teve sonhos maravilhosos, visitou uma Cidade de Cristal, olhou para o céu como se ele fosse de vidro. Até a Fazenda Modelo ficou deslumbrante. Os livros pareciam encadernados por safiras e ametistas, luzes saíam do corpo dos companheiros, das plantas e dos animais. Chico sentiu vontade de abraçar todo mundo. Ficou assim, em êxtase, quatro dias seguidos, em estado de alegria descontrolada, insuportável.

Emmanuel apareceu com as explicações:
- Você está vendo seu próprio mundo íntimo fora de você.

Moral da história:
Nós estamos aqui para cumprir obrigações,
 não para gozar um céu imaginário
nem para fantasiar um inferno que devemos evitar.

Extraído do livro "As Vidas de Chico Xavier"
Marcel Souto Maior - Planeta 2003

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