quarta-feira, 19 de junho de 2013

VATICANO ENTRA NA CONTROVÉRSIA DA PRESCRIÇÃO DE PSICOTRÓPICOS PARA CRIANÇAS

O Vaticano parece estar preocupado com outras bíblias, sobretudo a chamada "bíblia da psiquiatria", ou DSM-5.
As lideranças da Igreja Católica estão particularmente preocupadas com a prescrição em larga escala de psicotrópicos para crianças, o que é diretamente afetado pelas novas definições de "doenças mentais" dadas pelo manual DSM-5.
Os medicamentos psiquiátricos já se estabeleceram como a primeira linha de tratamento para jovens com problemas emocionais e comportamentais.
Esses medicamentos são tradicionalmente conhecidos como ISRS (inibidores seletivos da recaptação da serotonina).
Ao mesmo tempo, a utilização da intervenção psicossocial está sendo deixada de lado.
Para discutir o assunto, o Vaticano organizou uma conferência com especialistas internacionais, colocando a todos a pergunta: "O aumento nas taxas globais de prescrição de psicotrópicos para crianças justifica-se com base nas evidências dos testes clínicos?"
Entre os participantes estavam o Dr. David Cohen - um dos mais citados especialistas no campo do diagnóstico do transtorno bipolar em crianças e adolescentes - e a Dra Joanna Moncrieff, psiquiatra e autora do livro "O Mito da Cura Química".
A equipe interdisciplinar incluía ainda o premiado jornalista Robert Whitaker (autor de Anatomia de uma Epidemia), Irving Kirsch (autor de As Novas Drogas do Imperador) e o renomado psiquiatra Sami Timimi.
O debate se concentrou não apenas sobre a adequação do tratamento com psicotrópicos para crianças e adolescentes, mas também sobre a segurança e a eficácia dos psicotrópicos em comparação com outros tratamentos.
A conclusão dos debatedores foi de que, com base nas melhores evidências científicas disponíveis, as terapias psicossociais devem ser a primeira escolha de qualquer profissional de saúde que esteja atendendo crianças e adolescentes com problemas comportamentais.
O Vaticano não divulgou como pretende usar as conclusões do evento.
Diário da Saúde

EFEITO PLACEBO MESMO QUANDO OS PACIENTES SABEM QUE ESTÃO TOMANDO REMÉDIOS FALSOS, HÁ EFEITOS POSITIVOS

A psicologia humana realmente é algo complicado. Não é de hoje que os “placebos” são valorizados pela sua suposta capacidade de fazer nada: ao contrário de medicamentos com substâncias ativas, placebos derivam sua capacidade de cura da psicologia, enganando os pacientes que pensam tomar um remédio de verdade.
No entanto, um novo estudo mostra que os placebos podem oferecer um tratamento eficaz mesmo quando os pacientes sabem que estão tomando uma “pílula falsa”.
Os pesquisadores deram a 80 pacientes com síndrome do intestino irritável (SII) dois tratamentos. Um grupo, o de controle, recebeu apenas consultas com médicos e enfermeiros. O segundo grupo recebeu as mesmas consultas, mais comprimidos de celulose inertes, que foram claramente identificados como “placebos”, e foram orientados a tomá-lo duas vezes por dia.
Entre os participantes do estudo, 59% dos que, conscientemente, tomaram um comprimido de placebo disseram que seus sintomas foram suficientemente aliviados depois de três semanas, enquanto apenas 35% dos pacientes que não tomaram remédios relataram tal alívio.
Na maioria dos estudos sobre medicamentos, um tratamento que funcione 20% melhor do que o grupo de controle é visto como estatisticamente e clinicamente significativo. Na nova pesquisa, os resultados surpreendentes mostram algo que é quase duas vezes mais significativo.
De fato, o estudo mostrou que os efeitos das pílulas placebo foram comparáveis aos efeitos do poderoso, mas arriscado, alosetron, medicamento para SII vendido sob a marca Lotronex.
Os pesquisadores resolveram realizar esse estudo quando uma pesquisa anterior mostrou que cerca de 50% dos médicos americanos davam placebos a seus pacientes, sem avisá-los, porque os pacientes respondiam muito bem a eles.
O entendimento atual sobre placebo era que, para que eles funcionassem, os pacientes tinham de acreditar firmemente que aquilo era uma droga real, ativa. Mas o novo estudo desafia esse pensamento. De alguma forma, o efeito placebo ainda existe, e ainda pode ter um poderoso resultado positivo, mesmo quando os pacientes sabem que não estão tomando uma droga ativa.
É comum que pacientes de ensaios clínicos se preocupem em receber placebos. A ideia é de que eles não receberão o tratamento adequado. Os pesquisadores dizem que esse estudo é uma forma de aprender mais sobre placebos e medir os efeitos com total transparência, confiança e consentimento informado.
No entanto, apesar da pesquisa ser forte e avançada, mais estudos serão necessários para replicar os resultados em um grupo maior de pacientes. 

ÉTICA DA RECIPROCIDADE NAS RELIGIÕES

A ética da reciprocidade é um princípio moral geral, que se encontra em praticamente todas as religiões e culturas, e também é encontrada na filosofia,   frequentemente como regra fundamental. Este facto sugere que pode estar relacionada com aspectos inatos da natureza humana. 

A seguir, exemplos de referência à regra áurea nas religiões mais antigas 

Budismo
Não atormentes o próximo com o que te aflige - Udana - Varga 5:18 

Confucionismo
Não façais aos outros aquilo que não quereis que vos façam - Confúcio 

Cristianismo 
Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles - Jesus no Sermão da Montanha Mateus 7:12 

Hinduísmo
Esta é a suma do dever: não faças aos outros aquilo que se a ti for feito, te causará dor - Mahabharata [5:15:17] 

Islamismo 
Nenhum de nós é um crente até que deseje a seu irmão aquilo que deseja para si mesmo - Sunnah  

Judaísmo 
O que é odioso para ti, não o faças ao próximo. Esta é toda lei, o resto é comentário Talmude - Shabbat 31ª 

Zoroastrismo 
Aquela natureza só é boa quando não faz ao outro aquilo que não é bom para ela própria - Dadistan-i-Dinik 94:5

pt.wikipedia.org

COMO OS MÁGICOS ENGANAM A SUA MENTE

Todos gostamos de mágica, da arte do ilusionismo, até de um simples truque de cartas que as crianças aprendem para surpreender a família nos almoços de domingo. Essas mágicas utilizam princípios neurocientíficos para enganar nosso cérebro de maneira que normalmente não podemos controlar conscientemente. Então, o que exatamente está errado com nosso cérebro? Nada – ele tem apenas algumas brechas que podem ser aproveitadas por essa arte. Por exemplo:
Foco
Multitarefa é um mito. O cérebro humano simplesmente não foi projetado para se concentrar em duas coisas ao mesmo tempo, e os mágicos se aproveitam ao máximo disso. Nossa atenção é puxada para uma coisa em particular, conforme diz a teoria do “mover-holofotes”. Em suma, a teoria alega que a nossa atenção é como um holofote, com destaque para uma coisa, deixando o que o rodeia no escuro. Quando um item ou ação está dentro do foco, as partes do cérebro envolvidas no processamento funcionam de forma mais eficiente, enquanto o que está em torno nós não prestamos atenção. Isso permite que os mágicos tirem algo das mangas bem debaixo dos nossos narizes. Se algo estiver chamando mais nossa atenção, ou seja, estiver sob nosso holofote, nosso cérebro ignora o que ocorre em volta.
Memorias compostas
O “efeito desinformação” ocorre quando a informação nos é dada depois de um evento e nossa memória sobre ele acaba alterada. Confuso? Exemplo: um mágico pede para você escolher uma carta a partir do lado esquerdo do monte e devolvê-la sem lhe dizer qual é. Antes de ele adivinhar sua carta, ele diz algo como: “Você pode escolher qualquer carta que você quiser”. No calor do momento, você vai achar que sim. A verdade é que você só teve a opção de escolher o lado esquerdo, mas os comentários ambíguos do mágico alteram o que você se lembra do truque, deixando-o com uma falsa memória e fazendo a mágica parecer mais incrível do que era.
Previsão errada do futuro
Quando você vê uma bola sendo jogada no ar, ela volta para baixo. Você já deve ter visto isso muitas vezes, e seu cérebro sabe que tudo que vai, volta. Na verdade, por causa de algo chamado “memória de previsão de quadro”, nosso cérebro, por vezes, lembra tão bem de certas ações que deixa de prestar muita atenção, pois prevê como elas vão acabar. Quando uma bola é jogada no ar nosso cérebro instantaneamente relembra memórias de eventos semelhantes e produz uma ideia do que vai acontecer a seguir. Isso não significa que ele não possa estar errado. Quando um mágico coloca uma bola em um copo só para fazê-la desaparecer quando a taça for levantada, ficamos chocados porque o que nosso cérebro previa não se concretizou. Nosso cérebro muitas vezes alimenta uma previsão e nos convence de que isso vai acontecer, o que nos deixa ainda mais chocados quando a ação prevista não acontece.
Vontade livre
Quando estamos escolhendo uma carta, qualquer carta, raramente escolhemos de forma aleatória. Geralmente o mágico escolhe para nós, só que sem o nosso conhecimento. Em muitos truques de carta, a escolha “forçada” significa que o mágico fez alguma coisa, física ou mental, para nos conduzir a escolher exatamente o que ele queria. Mas o nosso cérebro muitas vezes nega isso, acreditando na livre escolha e omitindo fatos que podem indicar que fomos forçados.
Preenchendo os espaços em branco
O truque da “mulher serrada ao meio” é velho o suficiente para que a maioria das pessoas saiba seu segredo. A cabeça que vemos em uma das extremidades da caixa não pertence às pernas que vemos na outra. Mas nosso cérebro insiste e acredita nisso. Por quê? Porque o nosso cérebro não é lá muito inteligente quanto a continuidade. Quando se vê uma cabeça em alinhamento, próximo a um par de pernas, o cérebro utiliza a experiência passada para preencher o espaço em branco e dizer que, obviamente, um tronco existe entre essas duas partes do corpo. Em muitos truques de mágica um objeto está parcialmente coberto, e nosso cérebro usa o que ele pode ver para continuar a imagem e preencher o espaço em branco – exatamente o que o mágico quer.
Mudar
Olhe rápido para fora da janela. O que você viu? Agora olhe de novo. Alguma coisa mudou? Se na primeira vez tudo o que você viu foi o seu quintal e na segunda vez havia um tigre, bem, você provavelmente vai notar. Mas e se o pássaro empoleirado na árvore moveu-se ligeiramente? E se a planta tinha se mexido pelo vento? Nossos cérebros são suscetíveis a algo chamado de “mudança cega”, o que significa que ele é muito ruim para detectar pequenas mudanças imediatamente. Não que ele não as veja, mas ele é treinado para não se preocupar com as mudanças que não vão nos afetar muito e, como resultado, se não formos muito focados, raramente vamos registrá-las conscientemente. Obviamente, mágicos podem utilizar isso ao extremo, e não notamos as pequenas mudanças no que está acontecendo até o foco seja direcionado.
Nosso cérebro tem um ego
Nosso cérebro insiste que temos o livre-arbítrio, e também insiste que está sempre certo. Devido a uma coisa chamada “dissonância cognitiva”, ele tenta racionalizar os eventos, mesmo se isso significar ir contra o que você sentiu ou pensou apenas alguns minutos mais cedo. Nosso cérebro nos forçará a justificar os eventos se eles não ocorrerem como esperávamos. Mágicos apresentam uma realidade que não obedece a ideia de realidade que seu cérebro está acostumado a ver. Isso cria uma dissonância cognitiva e chega a um ponto em que não importa o quanto ele tenta; seu cérebro não consegue racionalizar os eventos vistos. Como o cérebro é usado para racionalizar os eventos depois que eles ocorrem, a mágica cria uma situação que não pode existir e que leva à sensação única de espanto.
Vendo e sentindo
Você já viu números de ilusões na internet em que você olha fixamente em uma imagem em preto e em seguida olha para uma parede branca para encontrar a imagem que ainda existe em sua visão. Isso é chamado de pós-imagem – quando o cérebro continua vendo algo por um curto período de tempo após esse algo ter se extinguido. Um mágico pode usar este truque quando muda um item de mão em mão. Para o seu cérebro, a moeda pode parecer estar em uma mão por um pouco mais de tempo do que realmente esteve devido a pós-imagem, o que dá ao mágico uma fração de segundo a mais para fazer seu truque. Ele pode até usar essa sensação de pós-imagem para remover o seu relógio. Apertar seu pulso pode deixar uma imagem que leva o cérebro a acreditar que seu relógio ainda está lá, mesmo depois dele ter sido habilmente removido.
Seu cérebro ama coisas novas
De maneira simples, quando o cérebro vê algo novo, rápido e emocionante, não pode evitar de tomar conhecimento. Devido à “captura de atenção exógena”, seu cérebro sempre será atraído para algo novo. Uma pomba voando de forma irregular vai chamar a atenção quase que imediatamente, mas seu cérebro leva pelo menos alguns segundos para processar o evento e avaliar a sua importância. Uma mão curvando-se rapidamente, por exemplo, chama mais atenção do que uma lenta linha reta. Os mágicos sabem disso, por isso usam as ações emocionais de seu cérebro para não te deixar olhar para onde querem.
Seu cérebro cai para o encanto
Muitos mágicos usam o humor em seus atos, em uma tentativa de encantar o seu público durante a apresentação. Esse charme e carisma é um efeito químico sobre o cérebro. É possível que o simples ato de rir com os trocadilhos terríveis do mágico libere oxitocina, o “hormônio do amor e do vínculo”, que faz com que os atos de cooperação e interação social o façam se sentir bem. A liberação da oxitocina te deixa menos propenso a ser crítico aos truques que você está assistindo, e ainda mais suscetível a perder as trocas de mão com a atenção atraída para o rosto do mágico. Tudo, até mesmo os trocadilhos terríveis, fazem parte do truque.

EFEITO PINÓQUIO SEU NARIZ O ACUSA QUANDO VOCÊ MENTE



Seu nariz denuncia quando você está mentindo. Ele não cresce, como acontece com o Pinóquio, mas fica vermelho. Isso acontece porque, quando os níveis de ansiedade crescem, a temperatura do nariz aumenta. O acréscimo da temperatura deixa o nariz com tom avermelhado.
Os cientistas batizaram a descoberta de “Efeito Pinóquio”, em homenagem a ficção que não está tão distante assim da realidade. De acordo com os pesquisadores espanhóis Emilio Gómez Milán e Elvira Salazar López, do departamento de Psicologia Experimental Universidade de Granada, é possível obter o efeito contrário e resfriar o rosto quando fazemos grande esforço mental.
 O nariz não é apenas o único a nos denunciar. Uma parte interna do músculo orbital do olho também esquenta quando mentimos. E contar inverdades não é a única maneira de ficarmos quentinhos. Quando estamos excitados sexualmente, nosso peito e órgãos genitais se aquecem.
As conclusões foram tomadas a partir da análise do cérebro de voluntários. Quando eles mentiam, o córtex insular se alterava. Essa área está envolvida com a detecção e a regulação da temperatura corporal, e é por isso que há relação entre a mentira e a temperatura do nosso rosto.
Por isso, se estiver na dúvida se alguma pessoa está contando lorotas, veja a cor de seu nariz. 

15 EXTRAORDINÁRIOS FATOS SOBRE O CORPO HUMANO

Em nossa constante busca por dados sobre as coisas mais interessantes, nós montamos esta lista de incríveis fatos sobre o corpo humano. Estes são os 15 fatos mais incríveis sobre nossos corpos que esperamos serem novidades para a maioria de nossos leitores.

01
Os ácidos digestivos do estômago possuem potência suficiente para digerir zinco. Felizmente as células naquele órgão se renovam em velocidade suficiente para que o seu suco gástrico não possa digerir a si mesmo.

02
Os pulmões possuem 300 milhões de capilares,  minúsculos vasos sanguíneos. Se eles fossem ligados ponta a ponta poderiam percorrer a distância de 2.400 km.

03
Um homem libera em média 250 milhões de espermatozoides durante um único ato sexual, produzindo cerca de 525 bilhões destas células durante toda a sua vida. A mulher libera apenas cerca de 450 óvulos maduros durante toda a sua vida.

04
Os ossos humanos são tão fortes quanto o granito ao sustentar peso. Um bloco de ossos do tamanho de uma caixa de fósforos grande pode sustentar até nove toneladas, isso é quatro vezes a capacidade do concreto.

05
Cada unha do corpo leva seis meses para crescer da base até a ponta.

06
O maior órgão do corpo é a pele. Um homem adulto é coberto por cerca de 1,9m2 de pele. Cada um de nós perde cerca de 600 mil partículas de pele por hora. A pele morta é constantemente esfoliada do corpo somando cerca de 48kg ao longo de 70 anos. A pele morta também é a responsável pela maior parte do pó na sua casa.

 07
Enquanto você dorme sua altura aumenta cerca de 8mm. Durante o dia cada um encolhe novamente para o tamanho normal. A causa são os discos de cartilagem em nossa coluna vertebral que se hidratam durante o sono, aumentando de volume, e são espremidas como esponjas durante o dia, por causa da força da gravidade.

08
Uma pessoa comum do ocidente ingere cerca de 50 toneladas de comida e bebe 50 mil litros de líquidos durante a sua vida.

09
Cada rim contém cerca de um milhão de filtros individuais. Eles filtram cerca de 1,3 litros de sangue por minuto e expelem até 1,4 litros de urina por dia.

10
Os músculos focais dos olhos se movem cerca de 100 mil vezes por dia. Para malhar as pernas da mesma maneira você teria que andar 80km.

11
Em apenas uma hora um corpo humano gera calor combinado suficiente para ferver 3,8 litros de água.

12
Uma única hemácia do seu sangue leva apenas um minuto para circular completamente o seu corpo.

13
O prepúcio (pele da ponta do pênis) removido de bebês circuncidados, quando colocado em cultura, leva apenas 21 dias para crescer pele suficiente para cobrir três quadras de basquete. Graças à ciência esta pele é usada para tratar pacientes de queimaduras entre outras enfermidades.

14
É comum ouvir a frase que afirma que “somos criaturas visuais”. Isso se dá pelo fato de que os olhos recebem cerca de 90% de toda a nossa informação.

15
O coração bombeia cerca de 5 litros de sangue por minuto, ou seja 7.200 litros por dia, mais de 2,5 milhões de litros a cada ano ou 184 milhões litros até os 70 anos de idade. Nada mal para uma bomba biológica de apenas 300 gramas! 

Hype Science

NOVOS NEURÔNIOS SÃO CRIADOS DURANTE A VIDA TODA


A formação — ou não — de neurônios no cérebro humano ao longo da vida é um assunto muito discutido entre os neurocientistas. Há evidências de que novas células neuronais são geradas em algumas estruturas cerebrais até a vida adulta, mas a frequência com que isso ocorre e a importância desse processo, chamado neurogênese, dentro da fisiologia do cérebro como um todo são temas ainda pouco compreendidos pela ciência.
Agora, em um estudo publicado na revista científica Cell, pesquisadores revelam evidências diretas e inéditas de que neurônios são formados continuamente ao longo da vida no hipocampo, uma região do cérebro fortemente associada à memória e ao aprendizado. Mais especificamente, são cerca de 700 novos neurônios por dia em cada hipocampo — o cérebro tem dois, um em cada hemisfério. De acordo com a pesquisa, cerca de um terço dos neurônios são renováveis e repostos regularmente, e o restante foi criado na fase fetal e, uma vez morto, não é substituído.
Testes nucleares — O estudo foi feito com cérebros congelados (doados após a morte) de pessoas entre 19 e 92 anos, sob a coordenação de cientistas do Instituto Karolinska, na Suécia. Para determinar a idade dos neurônios e concluir em que momento da vida eles foram gerados, utilizou-se uma técnica de datação de carbono semelhante à que se usa na arqueologia e na paleontologia para datação de fósseis e objetos antigos.
Os cientistas mediram no DNA de cada neurônio a concentração de carbono-14, um isótopo de carbono não radioativo. Embora o carbono-14 ocorra naturalmente, os vários testes nucleares realizados durante a Guerra Fria nas décadas de 1950 e 1960 aumentaram muito a sua concentração no meio ambiente e no DNA de plantas e animais.

Por isso, quando os pesquisadores compararam a concentração de carbono-14 nos neurônios às concentrações presentes na atmosfera no passado, foi possível determinar em que ano cada neurônio foi gerado. Ou seja, a concentração de carbono-14 serviu como marca para determinar a idade de um neurônio. Se um neurônio “nasceu” em 1995, mas a pessoa nasceu em 1965, por exemplo, isso significa que ele foi gerado na vida adulta.
O estudo observou que, em um mesmo cérebro, havia neurônios com concentrações diferentes – e, portanto, com idades diferentes, mostrando que uns foram gerados anos antes do que outros.  “Algumas células estão morrendo, outras sendo repostas. Há um constante fluxo de vida e morte no nosso cérebro”, diz Kirsty Spalding, uma das autoras do estudo.
De acordo com os autores, o próximo passo é tentar determinar a importância dessa neurogênese nas funções cerebrais. Segundo cientistas, o fato de tantas células serem formadas continuamente sugere fortemente que elas têm um papel importante na manutenção das funções cognitivas do hipocampo ao longo da vida.
Hypescience