segunda-feira, 15 de abril de 2013

CÉLULAS MÃES SE SACRIFICAM POR CÉLULAS FILHAS


Sacrifício materno

Na natureza há diversas espécies (além da humana) que realizam ações altruístas para garantir a sobrevivência de suas proles.

Alguns exemplos extremos são os ursos polares fêmeas - que ganham até 200 quilos durante a gestação e passam por um jejum nos oito primeiros meses de vida de seus filhotes, de modo a prover um leite rico em gordura.

Ou as "mamães" aranhas, da espécie Stegodyphus, que permitem que seus rebentos a matem para lhes servir de alimento.

Um estudo publicado na revista Science, realizado por um grupo internacional de pesquisadores, do qual participaram dois brasileiros, revelou que as menores porções de matéria viva - as células - também fazem sacrifícios para assegurar a continuidade de suas futuras gerações.

Mitocôndrias
Os pesquisadores constataram que durante o processo de divisão celular (mitose) - pelo qual uma célula "mãe" se divide para dar origem a uma célula "filha" - a célula "materna" fornece muito mais mitocôndrias (estruturas internas essenciais para a sobrevivência de qualquer vida celular) para sua "cria" do que se esperaria pela razão entre os volumes delas - a célula filha é menor do que a célula mãe.

É esse comportamento que permite usar a metáfora de célula mãe e célula filha, já que ambas são funcionalmente idênticas.

A descoberta sugere a hipótese de que, tal como na natureza, as células mães se sacrificariam para aumentar as chances de sobrevivência de suas filhas.

"Essa constatação é inédita e contraria a intuição de que as mitocôndrias são divididas de forma proporcional à densidade [volume] das células mães e das células filhas. Elas quebram essa regra", disse Luciano da Fontoura Costa, da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, e um dos autores do estudo.

Para estudar o processo de transferência de mitocôndrias entre as células, os pesquisadores usaram leveduras Saccharomyces cerevisiae - comumente utilizadas na produção de pão e de cerveja.

Por meio de sofisticadas técnicas de microscopia e computação, a equipe internacional conseguiu reproduzir em detalhes e medir o tamanho físico das redes mitocondriais - que tendem a diminuir continuamente ao longo das gerações sucessivas das células.

Os pesquisadores observaram que, no caso das células de levedura, no entanto, o tamanho da rede mitocondrial aumenta com o crescimento das células, e que essa relação de escala ocorre, principalmente, pela raiz.

"Se as mitocôndrias fossem divididas aleatoriamente e a densidade das células fosse mantida constante, esperava-se encontrar menos mitocôndrias nas células filhas do que nas células mães. O que se descobriu nesse trabalho é que a célula mãe dá mais mitocôndrias do que se esperava para a célula filha", disse Costa.

De acordo com os pesquisadores, em vez de as leveduras "mães" fornecerem quantidade suficiente de mitocôndrias para seus descendentes, de forma a garantir sua própria sobrevivência, elas transferiam muito mais organelas do que o necessário, mesmo à custa de suas vidas. A maioria delas começou a morrer passadas dez gerações.

Já formas mutantes de leveduras, muito mais "avarentas" para fornecer suas mitocôndrias às futuras gerações, viveram por muito mais tempo.

Complementando a genética
Segundo Costa, a descoberta desses mecanismos de divisão poderá ser estendida para outros organismos e tecidos. As células-tronco humanas e algumas células cancerosas, por exemplo, muitas vezes se dividem em duas células que se parecem e se comportam de forma muito diferente.

Em função disso, na opinião do pesquisador, estudos de biologia de sistemas como o que realizaram - que usam abordagens de ciências exatas, como métodos quantitativos de matemática, física e computação, e vão além da análise molecular - complementam a pesquisa em genética.

De acordo com Costa, as pesquisas sobre o genoma - hoje feitas em maior escala do que os estudos de biologia molecular - são insuficientes para entender um organismo como um todo porque diversos genes não são expressos, por exemplo.

"Os genes, em princípio, indicam como construir uma proteína, por exemplo. Mas o fato de se ter um gene não significa dizer que o organismo vai ter esta determinada proteína expressa", disse.

"Existe todo um controle na maquinaria celular que determina se essa proteína será expressa ou não. E esse controle, inclusive, depende da geometria do embrião e se já foram formados certos tecidos e estruturas anatômicas que são usados como sinalização para expressão de genes e servem como andaimes para construir o resto de um organismo".

Agência Fapesp

VIDEOGAMES VIOLENTOS FORTEMENTE ASSOCIADOS COM DELIQUÊNCIA JUVENIL

"Se você tem uma criança que é antissocial, que é um pouco vulnerável às influências, dar-lhes algo que lhe permita escapar em si mesma por um longo período de tempo não é uma coisa saudável." [Imagem: Iowa State University].

Um novo estudo sugere que há uma forte ligação entre os jogos de vídeo violentos e o comportamento agressivo em crianças e jovens com histórico de violência.

Matt DeLisi, da Universidade do Estado de Iowa (EUA), afirma que a pesquisa mostra uma forte ligação mesmo quando se leva em conta fatores como história de violência e traços psicopáticos entre os delinquentes juvenis.

Segundo ele, os críticos sempre afirmam coisas como "Bem, provavelmente não são os videogames, provavelmente é [o quanto] antissociais eles são".

"Agora podemos abordar isso diretamente, porque nós controlamos [o estudo] para um monte de coisas que nós sabemos que são importantes," diz DeLisi.

"Mesmo se você leva em conta o sexo, idade, raça, a idade em que [esses jovens] foram chamados pela primeira vez pelo tribunal juvenil, há um efeito muito poderoso. Mesmo com tudo isso, a medição do [impacto dos] videogames ainda é importante," completou.

Os resultados não são totalmente inesperados, mas surpreenderam Douglas Gentile, que estudou os efeitos da exposição aos videogames violentos em relação a agressões menos graves, como bater, fazer provocações e xingamentos - em seu estudo, ele concluiu que videogames não são bons ou ruins - podem ser as duas coisas.

"Eu não esperava ver tamanho efeito quando vamos para um nível sério de delinquência e agressão, porque os jovens que cometem esse nível de agressão têm um monte de coisas acontecendo de errado com eles. Eles geralmente têm uma série de fatores de risco e muito poucos fatores de proteção em suas vidas," diz Gentile.

Videogames violentos: quanto mais jogo, maior a agressividade.
O estudo analisou o nível de exposição aos videogames violentos entre 227 menores infratores. Em média, eles cometeram quase nove atos graves de violência, como participar de quadrilhas, bater em um dos pais ou atacar outra pessoa.

Os resultados mostram que tanto a frequência de jogo quanto a afinidade pelos jogos violentos foram fortemente associadas com comportamentos delinquentes e violentos.

O que os pais devem fazer?
Craig Anderson, professor de psicologia e diretor de um Centro para o Estudo da Violência, ressalta que a exposição os jogos violentos não é a única causa da violência, mas este estudo mostra que é um fator de risco.

Só porque uma criança joga um videogame violento não significa que ela vai agir violentamente.

Os pesquisadores dizem que, se os pais perceberem algo, eles precisam tomar consciência do que seus filhos estão jogando e avaliar como isso pode influenciar seu comportamento.

"Eu penso que os pais precisam ser verdadeiros e honestos sobre quem seus filhos são em termos de seu funcionamento psiquiátrico," disse DeLisi.

"Se você tem uma criança que é antissocial, que é um pouco vulnerável às influências, dar-lhes algo que lhe permita escapar em si mesma por um longo período de tempo não é uma coisa saudável," concluiu.

Redação do Diário da Saúde

CHAVE PARA ENTENDER COMPORTAMENTO HUMANO PODE ESTAR NAS ABELHAS

Para compreender detalhes sobre o funcionamento do cérebro humano, um caminho viável é a análise de proteínas cerebrais de modelos biológicos mais simples. Pensando nisso, cientistas da Universidade de Brasília (UnB) resolveram estudar proteomas (conjunto de proteínas) cerebrais de abelhas por acreditarem que esses insetos, de maneira semelhante ao homem, agem para atingir resultados e aprendem com as conseqüências de suas ações.

Em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), um grupo de pesquisadores do Departamento de Biologia Celular da UnB analisou o comportamento e identificou proteínas cerebrais de operárias das abelhas Apis mellifera e Melipona quadrifasciata.

"Um dos desafios da ciência moderna é compreender como o ser humano aprende e memoriza. Assim, por meio do estudo de estruturas tridimensionais das proteínas presentes no cérebro dessas abelhas e suas relações com funções bioquímicas, talvez possamos um dia colaborar no entendimento do cérebro humano", explicou o coordenador dos trabalhos, o bioquímico Marcelo Valle de Sousa, à Agência FAPESP.

De acordo com Sousa, as abelhas são insetos sociais: vivem organizadas em colônias nas quais os indivíduos se dividem em castas e contam com papéis bem definidos. Os pesquisadores compararam o cérebro de nutridoras de Apis mellifera, que são operáriasresponsáveis por alimentar as larvas e realizar a limpeza da colméia, com o cérebro de abelhas campeiras, que se deslocam grandes distâncias para coletar alimentos como o pólen e o néctar.

Os pesquisadores extraíram proteínas dos cérebros das abelhas e, com o auxílio de uma técnica chamada eletroforese bidimensional, separaram as proteínas de acordo com sua carga elétrica e massa molecular para, em seguida, identificá-las por meio de outra técnica denominada espectrometria de massa.

"Já conseguimos identificar cerca de 1,2 mil proteínas no cérebro das nutridoras e mais 1,2 mil no das campeiras. Desse total, apenas 50 proteínas são diferentes. Com isso, o próximo passo do estudo será analisar detalhadamente as estruturas tridimensionais dessas proteínas e suas interações com outras proteínas cerebrais para tentar propor funções bioquímicas e identificar semelhanças com proteínas do cérebro humano", explica Sousa.

A identificação das proteínas foi facilitada pela disponibilidade do genoma seqüenciado da abelha Apis mellifera, inseto que é utilizado como modelo para estudos de memória, aprendizagem, comunicação e sociabilidade. O seqüenciamento completo do genoma da abelha foi concluído no final do ano passado por um consórcio de cientistas de diferentes países.

O trabalho de determinação das estruturas tridimensionais das proteínas da Apis mellifera está sendo realizado em colaboração com o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas, no interior paulista. A primeira a ser analisada é a MRJP1, por ser uma proteína encontrada em maior concentração nos cérebros das abelhas.

Thiago Romero

CÉREBRO PODE SOFRER MUDANÇAS NA ADOLESCÊNCIA QUE LEVAM A ALTERAÇÕES NO QI


 
Resultados de testes de QI dependem de outros factores. Os Investigadores norte-americanos põem em causa os tradicionais testes de inteligência (Quociente de Inteligência – QI)  normalmente são usados como indicadores de avaliação de uma pessoa no que diz respeito à sua vida acadêmica, profissional e não só. Ciência Hoje.

Nem só hormônios e dúvidas compõem o cardápio da adolescência. Pessoas nessa fase da vida podem passar por mudanças profundas na estrutura cerebral, a ponto de alterar a sua classificação na tabela que mede o QI (sigla para quociente de inteligência). Segundo um estudo divulgado hoje na revista Nature, 21% dos garotos e garotas tiveram o desempenho melhorado ou piorado durante o período, e esse fenômeno teve relação direta com alterações físicas no cérebro. Os cientistas ainda não sabem se as transformações permanecem na vida adulta, mas apontam que elas podem indicar perda ou ganho de habilidades — e não simplesmente um erro de medição de QI.

O quociente de inteligência é uma referência criada há muitos anos e altamente difundida durante o século passado. “Ele procurou estabelecer medidas de normalidade ao que se convencionou chamar de inteligência: a capacidade que cada um tem de lidar com informações, envolvendo uma série de funções cognitivas”, explica a neurologista Sônia Brucki, da Sociedade Brasileira de Neurologia. O teste define o QI global do indivíduo, calculado a partir da soma do desempenho verbal (que envolve tarefas relacionadas à linguagem) e de performance (relacionado a atividades construtivas e de desenho, por exemplo).

Para verificar se havia variação do QI durante a adolescência, a equipe de pesquisadores britânicos recrutou 33 jovens neurologicamente normais, com idades entre 12 e 16 anos. O grupo respondeu a uma avaliação correspondente para a faixa etária e passou por uma máquina de ressonância magnética — que mapeia a atividade do cérebro. Cerca de quatro anos mais tarde, quando tinham entre 15 e 20 anos, os mesmos adolescentes foram convocados pelos cientistas para repetir os testes. Durante o intervalo, os garotos e garotas não foram informados que passariam, novamente, pelo procedimento. Ao cruzar os resultados das duas etapas, os cientistas perceberam que sete voluntários sofreram alterações consideráveis em suas mentes — medidas não só pelo QI, mas também por diferenças na espessura da massa cinzenta.

“Se tivéssemos apenas as mudanças observadas na pontuação do QI, isso poderia ser explicado por uma variação aleatória no desempenho, talvez devido à falta de concentração da pessoa no dia da avaliação”, diz a pesquisadora Cathy Price, da University College London, uma das autoras da pesquisa. “Mas o fato de essas alterações estarem relacionadas a áreas do cérebro ligadas às habilidades indica que a mudança do desempenho foi genuína”, esclarece, em entrevista ao Correio. A variação na espessura ocorreu em regiões relacionadas às capacidades que são medidas durante o teste de QI. Uma delas é o lado esquerdo do córtex motor, responsável pela fala, e a outra é o cerebelo, onde estão os neurônios que ativam performances não verbais do indivíduo

Embora a amostra de participantes que tiveram grandes alterações seja pequena — apenas 21% dos 33 voluntários —, as mudanças merecem atenção. Nesses casos, explica a professora Cathy, a diferença do resultado entre um teste de QI e outro chegou a 23 pontos, quantidade bastante para fazer com que o indivíduo migrasse de categoria na tabela do quociente. “Um quinto dos nossos voluntários passaram por transformações substanciais”, reforça a pesquisadora. As variações ocorreram para cima e para baixo: alguns participantes que tinham o QI normal passaram a ser considerados acima da média. Em outras situações, o fenômeno foi inverso. “O mais importante é que eles conseguiram demonstrar a relação entre a espessura cortical e o desempenho em testes de QI”, afirma a neurologista Sônia Brucki.

Cathy e sua equipe não determinaram se tais mudanças foram mantidas durante a fase adulta. Em outros estudos, no entanto, ficou demonstrado que a prática de habilidades verbais e não verbais tem uma influência sobre a estrutura do cérebro “maduro”. Assim, para a cientista britânica, é provável que homens e mulheres também sofram alterações consideráveis em suas mentes. Outro ponto que ainda não está claro diz respeito às causas da variação do QI entre os jovens. “No Reino Unido, onde os adolescentes podem optar por estudos na área de ciência, arte ou matemática, por exemplo, esse fenômeno pode ser consequência da ‘educação limitada’”, aponta Cathy.

Até então, explica a pesquisadora, alterações desse tipo eram vistas pelos cientistas como um erro de medição do QI. “O que é único na nossa abordagem é que fomos capazes de testar se as flutuações eram causadas por problemas na medição ou se diziam respeito a mudanças na habilidade”, ressalta.

“Também conseguimos demonstrar que as modificações na estrutura cerebral ocorreram em áreas ligadas a atividades verbais e não verbais, avaliadas no teste de QI”, completa. Agora, Cathy e outros cientistas ao redor do mundo precisam estender o experimento para grupos maiores e outras populações que não apenas jovens do Reino Unido. “Nosso grupo está se concentrando na compreensão de como a estrutura cerebral de vítimas de derrame se transforma à medida que elas se recuperam”, conta.

Apesar de o teste de QI ser amplamente usado em todo o mundo, surgiram, recentemente, algumas dúvidas sobre a sua eficácia. Isso porque muitas instituições passaram a levar em conta a chamada inteligência emocional, que não pode ser medida em uma avaliação como a do QI. “Além disso, para ter validade, é preciso adaptar o QI às populações. Um analfabeto, por exemplo, não pode fazer um exame igual ao aplicado em uma pessoa que sabe ler”, observa a neurologista Sônia Brucki.

Correio Braziliense/Carolina Vicentin

CÉREBRO DE ADOLESCENTES SOFREM MUDANÇAS DRAMÁTICAS


Ao monitorar as ondas cerebrais durante o sono de adolescentes conforme eles cresciam, pesquisadores identificaram mudanças dramáticas no cérebro marcando a passagem para a vida adulta.

As imagens mostram que o cérebro elimina conexões úteis na infância e gera novas rotas neurais para lidar com os problemas da fase adulta.

"Nossos resultados confirmam que o cérebro passa por uma reorganização dramática durante a puberdade que é necessária para o pensamento mais complexo," disse o Dr. Irwin Feinberg, da Universidade da Califórnia em Davis (EUA).

O estudo de longo prazo inédito dará aos médicos novos padrões de aferição do funcionamento cerebral em cada idade, eventualmente ajudando no diagnóstico de distúrbios presentes nessa fase da vida.

O Dr. Feinberg explicou que um grande número de sinapses é necessário no início da vida para se recuperar de lesões e para se adaptar a mudança no ambientes.

Essas múltiplas conexões, no entanto, prejudicam o pensamento lógico necessário mais tarde na vida para resolver problemas. Este estudo é o primeiro a documentar essas mudanças.

"Os nossos dados proporcionam uma linha mestra para procurarmos problemas no desenvolvimento do cérebro, que podem marcar o aparecimento de doenças tais como a esquizofrenia, que tipicamente se torna aparente durante a adolescência.

"Uma vez que estes processos subjacentes foram identificados, pode tornar-se possível influenciar mudanças cerebrais nos adolescentes de forma a promover o desenvolvimento normal e corrigir as anomalias emergentes," concluiu o cientista.

Redação do Diário da Saúde

GPS DO CÉREBRO CALCULA POSIÇÃO USANDO CÉLULAS EM REDE


Conforme o camundongo se movia em uma arena virtual (esquerda), cada célula da rede se tornava ativa quando o animal chegava em determinados locais (direita). Estas localizações estão dispostas em um padrão hexagonal. Os pontos vermelhos indicam a localização do camundongo na arena quando a célula da grade disparava. [Imagem: Cristina Domnisoru/Princeton University]

GPS cerebral

Da mesma forma que os satélites do Sistema de Posicionamento Global (GPS) ajudam a determinar sua localização na Terra, o cérebro possui um sistema interno para ajudá-lo a determinar a localização do seu corpo em relação aos objetos ao seu redor.

O cérebro possui um tipo especial de neurônio - conhecido como células em rede ou malha (grid cells) - especializado em monitorar a posição a cada momento.

Um novo estudo mostrou que essas células, que formam uma malha padronizada, não funcionam independentemente - elas aumentam ou diminuem sua atividade de forma coletiva conforme as cobaias se movimentavam pelo ambiente.

Padrão hexagonal
Os cientistas descobriram a existência das células em rede há cerca de 10 anos, verificando que elas disparam conforme o movimento.

Mas agora, Cristina Domnisoru e seus colegas da Universidade Princeton (EUA) descobriram que seu funcionamento é conjunto, seguindo um padrão conhecido como rede atratora.

A localização do animal é registrada no cérebro em um padrão hexagonal de células.

"Juntas, as células em grade formam uma representação do espaço," disse David Tank, coautor do estudo. "Nosso trabalho se concentrou nos mecanismos operando no sistema neural que forma esses padrões hexagonais."

Rede atratora
Domnisoru mediu os sinais elétricos no interior de células individuais da rede no cérebro de camundongos enquanto os animais navegavam por um ambiente virtual gerado por computador - os animais se moviam sobre uma esteira, enquanto o ambiente virtual lhes aparecia em uma tela de computador.

A atividade elétrica das células - a diferença de tensão entre o interior e o exterior de cada uma - inicialmente é baixa, mas vai crescendo conforme o camundongo atinge cada ponto da malha hexagonal, caindo novamente em seguida, conforme o animal se afasta desse ponto, um padrão conhecido como rede atratora.

Revista Nature
Redação do Diário da Saúde

TELEFONE CONTROLADO POR GESTOS


Uma empresa de tecnologia de Israel criou um sistema que utiliza as câmeras frontais e traseiras dos celulares para que os usuários controlem os aparelhos por meio de gestos. O eyeSight foi desenvolvido para telefones com o sistema operacional Android e permite ampliar imagens, passar para uma próxima foto, reproduzir músicas e atender a chamadas telefônicas, além de jogar games.

Jornal Alef

ANTIBIÓTICOS NATURAIS DA NOSSA PELE


Pesquisadores descobriram como as proteínas produzidas pela nossa pele destroem bactérias nocivas tão rapidamente.

A compreensão de como estas defesas naturais funcionam vai ajudar os cientistas a projetar novos tipos de antibióticos.

Até agora, os cientistas não sabiam explicar como as proteínas produzidas tanto por plantas quanto por animais foram capazes de matar bactérias nocivas de forma eficaz ao longo de milhões de anos.

E isto sem que esses patógenos desenvolvessem qualquer resistência, enquanto os antibióticos artificiais criados pelo homem estão gerando resistência nas bactérias pouco mais de 100 anos após o início de seu uso.

Esclarecer como estas proteínas funcionam poderá ajudar a combater infecções que estão se tornando resistentes aos antibióticos convencionais e, portanto, cada vez mais difíceis de tratar, tais como a MRSA.

Cientistas da Universidade de Edimburgo (Escócia), em parceria com colaboradores internacionais, estudaram agora em detalhes as proteínas produzidas na pele humana e pelas glândulas sudoríparas e que são responsáveis por combater as infecções.

Eles usaram uma tecnologia de imageamento de raios X especial para mostrar que estas proteínas têm a forma de um tubo.

A molécula é capaz de injetar fluidos através deste tubo para romper a parede celular do invasor, destruindo-o em milissegundos - a bactéria morre quase instantaneamente.

Os cientistas acreditam agora que será possível projetar novos antibióticos para imitar o comportamento dessas proteínas naturais, ajudando a desenvolver melhores tratamento contra infecções.

Revista científica Pnas.
Redação do Diário da Saúde

DORMIR MAL AFETA SEU CORPO DRASTICAMENTE


Quem já foi dormir de madrugada e teve de acordar cedo no dia seguinte sabe como uma noite de sono ruim pode mexer com o seu humor e acabar com sua disposição. Quão mal, porém, esse tipo de situação pode fazer ao seu corpo? De acordo com um grupo de pesquisadores do Reino Unido, uma noite de sono ruim pode alterar até mesmo o funcionamento dos seus genes.

Para chegar a essa conclusão, a equipe analisou amostras de sangue de 26 voluntários que normalmente dormem bastante (até 10 horas por noite) antes e depois de passarem uma semana com menos de 6 horas de sono por noite. Resultado: pelo menos 711 genes foram afetados.

“Mostramos que uma semana de sono insuficiente altera a expressão de genes em células sanguíneas humanas e reduz a amplitude dos ritmos circadianos [ciclos de aproximadamente 24 horas em que se baseia o metabolismo de um ser vivo] na expressão de genes”, escrevem os autores, em artigo publicado no periódico PNAS.

O sistema imunológico e a resposta do corpo a danos foram prejudicados nos voluntários. “Claramente, o sono é essencial para reconstruir o corpo e manter um estado funcional, [e com sono insuficiente] todo tipo de dano parece ocorrer”, explicou Colin Smith, um dos pesquisadores do estudo. “Se não pudermos renovar e substituir células, isso pode levar a doenças degenerativas”.

BBC

SONO É IMPORTANTE PARA CRIANÇAS


Os pesquisadores têm dado atenção especial à ligação entre sono e aprendizado na escola, conforme estudos já mostraram que ficar sem dormir para estudar não dá bons resultados.

A Dra Ines Wilhelm, da Universidade de Tubingen (Alemanha), partiu então para descobrir se há alguma diferença na sedimentação do aprendizado entre crianças e adultos.

O sono é importante para as crianças para o seu desenvolvimento como um todo.

E, no tocante ao aprendizado, seu cérebro transforma subconscientemente o material aprendido no que os pesquisadores chamam de "conhecimento ativo", pronto para uso posterior quando elas estiverem acordadas.

As crianças precisam lidar com um volume de informações novas muito maior do que os adultos - talvez por isso elas não apenas durmam mais, mas durmam mais profundamente.

Para comprovar essa hipótese, a pesquisadora submeteu adultos e crianças a tarefas de aprendizado e memorização. Os testes para aferição foram aplicados a grupos que dormiram bem e a grupos que ficaram acordados.

Os resultados mostraram que, depois de uma noite de sono, tanto adultos quanto crianças conseguem se lembrar de um volume de informações muito maior do que aqueles que ficaram acordados.

Mas o efeito é muito mais marcante entre as crianças, ou seja, as crianças lembram proporcionalmente mais informações do que os adultos depois que dormem bem.

Ou seja, se você quer que suas crianças saiam-se melhor na escola, é melhor não se esquecer de colocá-las para dormir na hora certa.

"Nas crianças, gera-se um conhecimento explícito de forma muito mais eficiente durante o sono," disse a pesquisadora. "E a capacidade extraordinária das crianças está relacionada com o maior tempo de sono profundo que elas têm à noite."

A associação entre sono e rendimento mental tem levado também a pesquisas mais audaciosas, que apontam para a possibilidade de reforçar a memória durante o sono e até que pode ser possível aprender dormindo.

Redação do Diário da Saúde

APRENDER DORMINDO

Nós podemos aprender enquanto dormimos. Isto graças a uma nova forma inconsciente de memória, da qual os cientistas agora coletaram os primeiros sinais inequívocos.

A existência dessa forma inconsciente de memória foi comprovada por pesquisadores da Universidade do Estado de Michigan (EUA).

Os resultados são destaque no periódico científico Journal of Experimental Psychology.

"Nós especulamos que podemos estar investigando uma forma separada da memória, diferente dos sistemas tradicionais de memória," disse Kimberly Fenn, coordenadora da pesquisa.

"Há evidências substanciais de que, durante o sono, o cérebro está processando informações sem o seu conhecimento, e essa habilidade pode contribuir para a memória em um estado de vigília," afirma.

No artigo, que analisou mais de 250 pessoas, Fenn e seu colega Zach Hambrick sugerem que as pessoas tiram proveito dessa capacidade de "memória do sono" de formas radicalmente diferentes.

Enquanto algumas pessoas experimentam melhoras dramáticas em sua memória depois de acordadas, outras não tiram proveito algum da memória do sono.

Ela acrescenta que a melhoria da memória foi observada na maioria das pessoas que participaram do experimento.

Para os pesquisadores, esta habilidade é uma forma nova e previamente desconhecida de memória, capaz de reforçar o aprendizado sem ação consciente do indivíduo.

"Você e eu podemos ir para a cama ao mesmo tempo e ter a mesma quantidade de sono," disse Fenn, "mas, enquanto a sua memória pode aumentar substancialmente, pode não haver nenhuma mudança na minha."

Fenn acredita que a capacidade potencial dessa memória separada não é capturada por testes de inteligência e testes de aptidão tradicionais.

"Este é o primeiro passo para estudarmos se esse novo tipo potencial de memória está relacionado ou não com resultados como a aprendizagem em sala de aula", disse ela.

A pesquisadora aproveitou para reforçar a necessidade de uma boa noite de sono.

"Simplesmente melhorar o seu sono pode potencialmente melhorar seu desempenho na sala de aula", afirmou.

Diário da Saúde

DORMIR BEM REDUZ DETERIORAÇÃO DA MEMÓRIA


Dormir bem reduzi a deterioração da nossa memória à medida que envelhecemos.

Até agora não se sabia ao certo se as mudanças no cérebro, sono e memória eram sinais distintos do envelhecimento, ou se haveria uma conexão mais profunda entre eles.

Um novo estudo indicou agora que mudanças que ocorrem no cérebro com a idade prejudicam a qualidade do sono profundo, o que, por sua vez, diminui a capacidade do cérebro de aprender e armazenar memórias.

Com base nessas conclusões, a equipe pretende agora testar formas de melhorar o sono para interromper o declínio da memória.

É possível aprender dormindo, dizem cientistas
O estudo, publicado na revista Nature Neuroscience, foi realizado por cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley.

"Vista em conjunto, a deterioração do cérebro leva à deterioração do sono que produz a deterioração da memória (geralmente solidificada na fase de sono REM, ou de movimentos rápidos dos olhos)," disse Matthew Walk, um dos pesquisadores envolvidos no estudo.

"O sono de ondas lentas [sono profundo] é muito importante para solidificar novas memórias que você aprendeu recentemente. É como clicar o botão 'salvar' (no computador)", ele explicou.

A equipe disse não ser capaz de restaurar a região do cérebro desgastada pela idade, mas espera que algo possa ser feito em relação ao sono.

Por exemplo, é possível melhorar a qualidade do sono estimulando a região certa do cérebro com eletricidade durante a noite.

Estudos demonstraram que essa técnica pode melhorar o desempenho da memória em jovens.

Agora, os pesquisadores querem iniciar testes também com pacientes mais velhos.

"Você não precisa restaurar as células do cérebro para restaurar o sono", disse Walker. Ele disse que a técnica é uma forma de fazer o sistema "pegar no tranco".

BBC

SONO FIXA A MEMÓRIA NO CÉREBRO

Uma nova pesquisa da Universidade da Califórnia em Riverside (EUA) confirmou o mecanismo que permite que o cérebro consolide memórias e descobriu que um remédio para dormir comumente prescrito melhora esse processo.

As descobertas podem conduzir a novas terapias do sono que melhorem a memória de adultos mais velhos e pessoas com demência, doença de Alzheimer e esquizofrenia.

Estudos anteriores já haviam sugerido uma correlação entre “fusos do sono” (rajadas de atividade cerebral que duram por um segundo ou menos) durante uma fase específica do sono e a consolidação de memórias que dependem do hipocampo.

O hipocampo, uma parte do córtex cerebral, é importante para a consolidação das informações de curto prazo em memória de longo prazo, e para a navegação espacial. É uma das primeiras regiões do cérebro danificadas pela doença de Alzheimer.

No novo estudo, a psicóloga Sara C. Mednick e sua equipe demonstraram, pela primeira vez, o papel fundamental que os fusos do sono desempenham na consolidação da memória no hipocampo, e mostraram que produtos farmacêuticos poderiam melhorar significativamente esse processo.

“Este é o primeiro estudo a mostrar que você pode manipular o sono para melhorar a memória. Drogas para o sono podem ser uma ferramenta poderosa para distúrbios de memória”, afirma Mednick.

49 homens e mulheres entre 18 e 39 anos que dormiam normalmente receberam doses variáveis de zolpidem (Ambien) ou de oxibato de sódio (Xyrem), e, depois de alguns dias (quando as drogas já haviam saído de seus sistemas), um placebo.

Os pesquisadores monitoraram seu sono, bem como mediram sua sonolência e humor após cochilar, e usaram vários testes para avaliar sua memória.

Eles descobriram que o zolpidem aumentou significativamente a densidade de fusos do sono e a consolidação da memória verbal nos participantes. O remédio levou a um melhor desempenho de memória, um desempenho além do visto quando os participantes simplesmente dormiram ou quando tomaram a droga de comparação (oxibato de sódio).

Os resultados definem o cenário para o tratamento alvo de perda de memória, bem como a possibilidade de melhoria da memória acima da vista em um período de sono normal.

Um dos próximos passos dessa linha de pesquisa é determinar qual componente da resposta física para a droga é responsável por aumentar a densidade de fusos do sono e a resultante consolidação da memória.

Mednick também espera estudar o impacto do zolpidem em adultos mais velhos, que já experimentam perda de memória e menos fusos do sono. O mesmo ocorre com indivíduos com demência, Alzheimer e esquizofrenia.

“Nós sabemos muito pouco sobre o sono, embora seja um componente essencial para a saúde“, diz Mednick, que começou a estudar o sono no início de 2000. “Nós sabemos que afeta o comportamento, e sabemos que é essencial para uma série de transtornos com problemas de memória. Precisamos integrar o sono em diagnósticos médicos e estratégias de tratamento. Esta pesquisa abre uma série de possibilidades”, conclui. O estudo foi publicado no Journal of Neuroscience.

MedicalXpress

DIFERENÇAS ENCONTRADAS NA MANEIRA DE ANDAR ENTRE OS SEXOS

Se nós vemos uma figura sombria andando em uma rua escura, nosso senso que detecta se ela esta caminhando em nossa direção ou indo para o lado oposto depende se nós a enxergamos como um homem ou uma mulher, um novo estudo descobriu.

Estes resultados mostram um pouco mais sobre os julgamentos sutis que o cérebro faz quando percebe movimento.

No passado, pesquisas mostraram que as pessoas são extraordinariamente boas em deduzir o sexo, idade, humor e até personalidade de outras pessoas baseados somente em poucos movimentos.

“Os humanos são observadores aguçados uns dos outros. Nós sabemos muito uns sobre os outros em uma primeira vista. Como nós fazemos isso é uma pergunta interessante, especialmente o porque algumas pessoas são tão boas nisso”, disse o pesquisador Rick van der Zwan, um neurocientista comportamental da Universidade Southern Cross na Austrália.

Para ver que tipos de detalhes as pessoas podem detectar nos movimentos, cientistas fizeram com que voluntários observassem um conjunto de pontos que grosseiramente formavam uma pessoa. Eles foram criados ao conectar luzes em pessoas de verdade e filmá-las enquanto andavam em uma esteira indo em direção à câmera ou para o lado oposto.

“Se você olha para alguém que tem apenas suas juntas iluminadas quando não está se movendo é difícil dizer para o que você está olhando. Mas assim que elas começam a mover-se, instantaneamente, você reconhece que é uma pessoa e percebe a sua natureza”, disse Rick. “Você pode dizer se é homem ou mulher, jovem ou velho, mal humorado ou feliz. Você pode discernir todas estas qualidades sobre seu estado, influência e ações sem pistas sobre sua aparência – sem forma de qualquer tipo, apenas movimento.”

Enquanto estas figuras estilizadas andavam, seus movimentos eram manipulados para se aparentarem desde uma “mulher extremamente efeminada” até um “homem Hulk”. O ponto médio era neutro em termos de sexo e os voluntários julgavam seu movimento como mulher metade das vezes e homem na outra metade.

Estranhamente, quando estas figuras ambíguas eram julgadas como masculinas os voluntários as viam se aproximando, mesmo quando as próprias pessoas nas quais estas imagens se baseavam estavam se distanciando da câmera. Além disso, quando estas figuras ambíguas eram julgadas como mulheres, os voluntários as viam andando para o sentido contrário da câmera, mesmo quando as modelos da vida real estavam se aproximando.

“O que as pessoas acham mais surpreendente é que o efeito é consistente para observadores de ambos os sexos”, disse Rick para o site LiveScience. “Não importa se você é um observador homem ou mulher – as figuras masculinas do tipo que utilizamos comumente pareciam que estavam andando em direção ao observador e as femininas normalmente pareciam estar indo para a outra direção.”

Aparentemente “há algo na maneira que os homens e mulheres se movem que afeta a maneira que os vemos em termos de orientação espacial”, disse Rick.

É “tentador especular” que este efeito reflita os custos potenciais “de errar a interpretação de ações e intenções de outros. Por exemplo, uma figura masculina que é ambígua pode ser percebida como se aproximando para permitir que o observador se prepare para fugir ou lutar. Similarmente, para os observadores, e especialmente crianças, a fêmea se afastando também pode sinalizar a necessidade de agir, mas por razões diferentes.”

Os cientistas detalharam suas descobertas na edição de 9 de setembro da revista científica Current Biology.

LiveScience

DADI JANKI A MENTE MAIS ESTÁVEL DO MUNDO


Uma ioguina indiana, DADI JANKI, de 86 anos, foi considerada pelo Instituto de Pesquisa Médica e Cientifica da Universidade do Texas,
como a "mente mais estável do mundo", porque mesmo testada em situações tensas e perigosas, seu eletroencefalograma marcou a
presença constante de ondas delta, as ondas mais positivas e lentas produzidas pela atividade cerebral. Ela recebeu da ONU o título, muito raro de ser concedido, de Guardiã do Planeta, por seu trabalho em prol de mentes mais livres e pacíficas.

Quando lhe perguntaram, em sua visita a São Paulo, a receita de uma mente tão tranquila e sem pesos, ela respondeu:

"Muito amor no coração por todos e nenhum apego por ninguém, tentar não prejudicar pessoa alguma minimamente e eliminar da mente qualquer pensamento negativo, fazendo um exercício diário e ter a certeza de que não estamos aqui à toa, mas para cumprir o destino da evolução. Que somos caminhantes, sem dependências ou estabilidades. Quem não percebe isso se torna escravo do desnecessário e polui a mente".

Em 1978, Dadi Janki foi submetida a um teste na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, quando então se tornou conhecida como
"a mente mais estável do mundo" (suas ondas cerebrais não se alteram mesmo em situações extremas).

"A maravilha é que, mesmo não entendendo inglês, consegui dar as respostas certas", diz.

Hoje, aos 86 anos, 60 deles dedicados ao estudo espiritual e à prática da meditação, Dadi é só tranqüilidade e paz. Co-diretora
mundial da Brahma Kumaris - universidade espiritual com sede na Índia e mais de 5 mil centros pelo mundo -, integrante do grupo
Guardiões da Sabedoria e criadora da Fundação Janki de Pesquisas para Saúde Global, em Londres, ela nos recebeu vestindo branco por dentro e por fora, sem solenidades, sem as vaidades comuns à maioria das mulheres. Seu discurso encanta pela pureza e ensina
que as mudanças possíveis ao mundo começam no coração de cada pessoa.

- Por que tanta gente está buscando uma vida simples?
- Vivemos com muitas demandas de consumo. Eu quero isto, eu quero aquilo, aquilo outro e assim por diante. E todo mundo tem muitas demandas e expectativas. Se vivemos ao sabor das demandas externas, tudo o que conseguimos ver em termos de reconhecimento da personalidade humana é o que aparece na superfície, o que é artificial. E vida simples significa vida real.

Algumas pessoas pensam que a necessidade da vida é possuir coisas, quando, na verdade, o que realmente importa é possuir valores espirituais. Portanto, quando reafirmamos nossa vida em propósitos de paz, felicidade e amor, caminhamos para a felicidade verdadeira.

A conquista de uma vida simples permite que a espiritualidade se desenvolva facilmente.E espiritualidade significa eu usar o meu tempo, o meu dinheiro e a minha energia no caminho do bem.

- E de que maneira podemos seguir esse caminho na prática, levando em conta as dificuldades do dia-a-dia?

- Existem três aspectos importantes para o entendimento do que proponho aqui, do que estamos levando adiante com o conhecimento.

a) Primeiro passo é empreender a busca, porque quando faço isso reconheço os territórios internos, em termos de qualidade dos pensamentos, e entendo o que pode ser feito para mudar.

b) Segundo, tenho de conhecer a Deus, ser capaz de ter um relacionamento com o divino, de maneira a estar pronto para receber de Deus o tesouro da paz.

c) Terceiro, eu também preciso entender os movimentos de calma e de ação, assim como o curso e os efeitos de minhas ações. Se eu puder entender essas três coisas, então certamente terei paz verdadeira.

- A senhora vive com pouco?
- Posso viver muito bem com três conjuntos de roupas: uma para tudo, outra para alternar na lavagem, uma terceira guardada. Às vezes, quando visito alguém, as pessoas me chamam para mostrar o número de roupas que elas têm, a quantidade de sapatos, as jóias. Eu sinto compaixão por elas, porque seu intelecto certamente está disperso. Todos esses apelos externos nos distraem do real propósito da vida.

- Essa desconexão com o real complica também nossos relacionamentos?

- Sim, as demandas externas distanciam as pessoas do que entendemos como qualidade em um relacionamento. É o que deteriora a família, as amizades, e consagra o egoísmo no lugar da verdade. Quando, enfim, complicamos muito a vida, fica difícil tomarmos conta de nós mesmos e, mais ainda, não há como cuidar devidamente de nossos relacionamentos.

Bem, eu posso mostrar, com a minha vida, de que maneira é possível alcançar a felicidade e, assim, os outros têm uma referência de como conseguir isso também. Com uma vida simples, posso dar atenção aos outros, cooperar com os outros, porque quando meu coração é honesto, ele se torna grande, generoso.

- É possível manter-se centrado mesmo com o turbilhão de informações produzido por jornais, revistas e televisão?

- Eu prefiro viver longe desse fluxo. Porque, se sabe, isso acaba virando um vício. As pessoas acreditam que, lendo jornais ou assistindo TV, estejam apenas buscando informações sobre o que acontece no mundo. Mas, na verdade, tudo isso produz uma grande quantidade de distrações.

O cinema, da mesma forma, difunde muitos e muitos maus hábitos. Assim, fica muito difícil, por exemplo, manter uma vida mais
contemplativa, pautada na prática da meditação. A natureza humana é muito suscetível.

Somos freqüentemente afetados pelo mal. E quase sempre a influência do mal ocorre de maneira muito rápida. Se eu, de fato, quiser me tornar um ser humano em sua plenitude, se esse é meu propósito, devo procurar caminhos diferentes, que não me façam perder tempo e energia. Ideias assim são sempre muito inspiradoras. Mas parece um tanto difícil conseguir isso.

A verdade é que há muitos males no mundo de hoje e creio que é mesmo hora de pararmos com isso. Eu tenho o alegre objetivo de, primeiro, fazer da minha vida uma boa vida e manter a mim mesma livre de todas as influências de negatividade do mundo. E há muitas pessoas criando uma vida boa como esta. Gente do mundo todo está reconhecendo que é por meio da espiritualidade que se pode alcançar uma vida plena.

- Vivemos tempos um tanto incertos. Podemos acreditar num bom destino para a humanidade?

- Sim, eu acredito que o futuro será bom. Há pessoas buscando uma vida sensata, uma vida simples, e elas servirão de inspiração para os outros, em favor do mundo. E tudo o que é exigido é uma transformação interna, de maneira que possamos ter bons sentimentos, sem nos colocarmos negativamente contra quem quer que seja. Basta que não tenhamos maus sentimentos, que exercitemos a aceitação dos outros, disseminando paz e felicidade.

- É preciso tornar-se um iogue para incorporar essa atitude?
- Não necessariamente. Todos aqueles que, através da observação contínua de si mesmos, e através da meditação, experienciam um relacionamento autêntico com Deus, podem se tornar as estrelas brilhantes que iluminam o mundo.

Eu acredito que se todos seguirmos juntos assim, poderemos criar o céu aqui na Terra. Mas, primeiro, teremos de criar o céu em nossas
mentes. Porque tudo o que acontece neste mundo começa antes no coração dos homens.

Pedro Gomes Moreira enviou esta Mensagem

POR QUE FALAMOS HMMM QUANDO ESTAMOS PENSANDO?



Você provavelmente não o aprendeu durante uma aula de Português, e ele raramente aparece em um dicionário. Gramaticalmente falando, é uma “interjeição”, ou seja, uma palavra que expressa emoções, estados de espírito, sentimentos. O próprio significado varia conforme o tom: pode significar “não gostei”, “boa ideia!” ou “espere um pouco enquanto penso numa resposta”. O significado muda com o contexto da conversa, também.

De onde veio a expressão? “Não tenho uma teoria para isso”, disse o linguista Anatoly Liberman, da Universidade de Minnesota (EUA) e especialista na origem de palavras. “Pode ter vindo do Inglês ou do Francês. Mas você não consegue traçar sua longa trajetória”.

Ele sugere que o “h” substitui a respiração que antecede a fala, e o “mmm”, emitido sem abrir a boca, indica que você não tem certeza do que dizer. O fato de você emitir o som indica que, pelo menos, continua envolvido na conversa.

Para o psicólogo Nicholas Christenfeld, da Universidade da Califórnia (EUA), especialista em “pausas em diálogos preenchidas” (!) a expressão é popular justamente porque é um som neutro “mais fácil de ser dito do que qualquer outra coisa”. “Hmmm…”, pensaram vocês.

Live Science

MÚSICA CLÁSSICA AJUDA NAS CIRURGIAS


Médicos cirurgiões observaram que tocar música clássica enquanto operam seus pacientes pode beneficiá-los tanto que até o período de recuperação é mais rápido.

O estudo encorajou os pacientes a ouvir peças de Beethoven, Vivaldi e Bach durante as cirurgias. Frank Sinatra também foi oferecido aos que preferiam algo um pouco mais “fácil de ouvir” durante as cirurgias.

96 pacientes submetidos a pequenas cirurgias foram divididos aleatoriamente para participar de operações com música ou silêncio. Todos estavam acordados durante seus procedimentos, que incluíram a remoção rotineira de lesões na pele e a limpeza de feridas em membros superiores após acidentes.

A metade dos pacientes que ouviu música clássica durante sua operação relatou níveis de ansiedade mais baixos e respiração mais lenta do que os demais. Os médicos não avaliaram qual artista ou música era melhor para os pacientes.

“Ser submetido a uma cirurgia pode ser uma experiência estressante para os pacientes, e encontrar maneiras de torná-los mais confortáveis deve ser nosso objetivo como clínicos”, disse o cirurgião plástico Hazim Sadideen, que liderou o projeto no Hospital John Radcliffe, em Oxford, Reino Unido.

Além do fator psicológico, existem também boas razões médicas para encorajar a música clássica. Pacientes mais calmos podem lidar melhor com a dor e se recuperar mais rapidamente.

“Este trabalho pequeno foi a primeira vez que uma tentativa foi feita para medir o impacto da música neste grupo específico de pacientes, ressaltando a necessidade de maior investigação para determinar se a música deve tornar-se parte da prática médica comum”, afirmou Sadideen.

Telegraph

VOCÊ NÃO É DONO DOS PRÓPRIOS GENES

O alerta foi dado por um estudo publicado em 25 de março no periódico Genome Medicine: mais de 40.000 patentes foram concedidas sobre trechos de DNA longos e curtos, virtualmente dando o controle comercial de todo nosso genoma às empresas que as registraram.  

O estudo se concentrou em dois tipos de sequências de DNA patenteadas: fragmentos longos e curtos. Foi descoberto que 41% de todo o genoma humano é coberto por patentes de DNA longo, cobrindo geralmente genes inteiros.  

Além disso, como os genes compartilham estruturas similares dentro de sua estrutura genética, se todas as patentes de sequências curtas forem agregadas, podem cobrir 100% do genoma. O seu médico não vai poder examinar o seu DNA sem violar patentes.  

O problema está chegando à Suprema Corte dos Estados Unidos, que vai revisar os direitos de patentes genômicas em uma audiência no dia 15 de abril. A decisão da Corte vai influenciar diretamente os direitos de companhias de diagnóstico molecular de patentear não um, mas dois genes de câncer do seio e do ovário, BRCA1 e BRCA2, e também qualquer sequência menor dentro de BRCA1, incluindo uma patente para apenas 15 nucleotídeos.  

E não é só estes dois genes que a empresa patenteou: ela tem pelo menos outros 689 genes humanos patenteados, relacionados a outros 9 cânceres, além do desenvolvimento do cérebro e funcionamento do coração.  

Na prática, significa que nenhum médico ou pesquisador poderá estudar o DNA destes genes de seus pacientes, e nenhuma droga de diagnóstico ou tratamento poderá ser desenvolvida baseada nestes genes, sem violar as patentes – a não ser que a droga seja desenvolvida pela empresa.  

A empresa que tem as patentes do BRCA1 e BRCA2 oferecem serviços de diagnósticos de câncer ao custo de US$3.000 por teste (cerca de R$6.000,00), um valor que, graças à proteção das patentes, tem que ser pago, mesmo que outros laboratórios tenham condições de oferecer o mesmo teste a preços mais baixos.  

E não é só o diagnóstico e tratamento que encarecem – a própria pesquisa genética também fica mais cara, já que é praticamente impossível trabalhar com genética sem tropeçar em um gene patenteado por dia. E, se considerarmos as sequências pequenas, que se repetem em todo o genoma, é impossível trabalhar com o genoma humano sem lidar com genes patenteados.  

Para quem tem dinheiro e quer trabalhar com os genes patenteados, outro problema: determinar quais patentes cobrem um determinado gene. As patentes de sequências curtas se sobrepõe e diferentes patentes podem ser aplicadas sobre um mesmo gene, como o BRCA1, por exemplo.  

Como se esta confusão não fosse suficiente, ainda há o problema das patentes de DNA que cruzam a barreira das espécies. Uma empresa que patenteou genes referentes à criação de vacas acabou tendo direitos sobre 84% do genoma humano.

Os pesquisadores apontam que são a favor do sistema de patentes, mas é preciso equilibrar essa proteção aos inventores com o bem da medicina, o investimento em pesquisa e a inovação. Mais que isso: os indivíduos têm que ter direitos sobre seu próprio genoma, e permitir que médicos o examinem da mesma forma que examinam pulmões e rins.  

MedicalXpress

Você não é dono dos próprios genes | HypeScience

hypescience.com/voce-nao-e-dono-dos-proprios-genes/

CÓDIGO GENÉTICO É TRANSFORMADO EM MÚSICA



Cientistas e compositores criaram uma nova música para ser cantada por um coral – os cantores, na verdade, produzem sons de seus próprios códigos genéticos. Quer saber como?

O DNA humano é formado, basicamente, de quatro compostos químicos diferentes. Isso fez com que o músico Andrew Morley tivesse a idéia de atribuir uma nota para cada um desses compostos.

A música resultante foi batizada de Allelle. Cada cantor que foi designado para a música teve seu código genético desvendado – na verdade eles participavam de um outro estudo, que estava tentando determinar a diferença genética entre bons cantores e os desafinados. Depois do processo, eles decoraram as notas de cada composto do seu DNA e a música foi feita.

A “Allelle” vai ser cantada pelo New London Chamber Choir, um coral inglês do qual os cantores do estudo fazem parte, que se apresentará na Sociedade Real de Medicina dia 13 de julho. Se você não foi convidado e quer conferir a música mesmo assim, entre neste site e clique “play” no podcast chamado de “New London Chamber Choir rehearse Allelle” para ouvir um ensaio. Gostou do resultado? Comente!

BBC

O CÉREBRO PREFERE MÚSICA CLÁSSICA


Dizer “esta música é muito boa” ou “nossa! Que música horrível” é muito comum. Todos têm seus gostos particulares e rejeitam artistas e bandas que fogem das preferências pessoais. Mas, uma pesquisa publicada no periódico científico BMC Research Notes revela que talvez haja um padrão. Segundo o artigo, as pessoas tendem a gostar das músicas que soam “complexas” aos ouvidos, mas que são “decifráveis e armazenadas” pelo cérebro, como as composições eruditas.

O autor do estudo, Nicholas Hudson, biólogo da Australian Commonwealth Scientific and Industrial Research Organization, disse que o cérebro comprime a informação musical como um software de computador faz com um arquivo de áudio: ele identifica padrões e remove dados desnecessários ou redundantes. A música clássica, por exemplo, pode parecer complexa para quem ouve, mas o cérebro consegue encontrar padrões para o trabalho de compressão. Pouca coisa é descartada. Hudson usou programas de compressão de músicas para imitar como o cérebro age e usou músicas que já haviam sido analisadas em um estudo de 2009 que mediu como 26 voluntários curtiam músicas de diferentes gêneros musicais como clássico, jazz, pop, folk, eletrônica, rock, punk, techno e tango.

Entre as músicas que o biólogo escolheu, “I should be so Lucky” da Kylie Minogue foi comprimida a 69,5% de seu tamanho original; “White Wedding” do Billy Idol foi diminuída a 68,5%; e a Terceira Sinfonia do Beethoven foi reduzida a 40,6% do seu tamanho inicial. O cérebro, como o software encontraram mais padrões na música do compositor alemão. Com as outras músicas, ele teve pouco trabalho de compressão, pois o resto foi “jogado fora”. Fazendo uma comparação, as músicas mais “comprimíveis” foram aquelas escolhidas como as mais agradáveis no estudo de 2009.

Mas, porque nosso cérebro gosta mais das músicas que o fazem trabalhar mais para comprimi-las? “É da nossa natureza sentir mais satisfação ao atingir uma meta quando a tarefa é mais difícil. As coisas fáceis trazem um prazer superficial. As músicas mais simples, com poucos padrões de compressão, rapidamente ficam irritantes e deixam de ser estimulantes”, disse Hudson. Esta é uma explicação para aquela sensação de enjoar rapidamente de uma música. O teste também incluía barulhos aleatórios que só puderam ser comprimidos a 86%. O resultado foi que estes sons causaram indiferença e tédio nas pessoas.

Já foi dito que música clássica ajuda a memória, ajuda o foco nos estudos e pode até deixar as pessoas mais inteligentes. Este é mais um estudo que comprova a qualidade da música clássica, mas, como diz o ditado: gosto não se discute.

LifesLittleMysteries

MÚSICA ESTÁ MUDANDO O SEU CÉREBRO


Segundo o médico Charles Limb, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, as canções penetram em sistemas fundamentais de nosso cérebro, que são sensíveis à melodia e às batidas, e exercitam nosso cérebro de maneira única.

“Existe evidência suficiente para dizer que a experiência musical muda nosso cérebro”, afirma o cientista estadunidense. “Ela permite que você pense de maneira diferente e treina várias habilidades cognitivas não relacionadas à música”.

Não importa. Sejam canções do AC/DC, do Bee Gees ou peças do Rachmaninoff, é fácil ter fragmentos delas que se repetem incessantemente por algum período determinado, mesmo que a música não seja do seu agrado.

Essa repetição ‘chiclete’ é conhecida por earworm, termo utilizado pela primeira vez em 1980, em tradução literal do alemão Ohrwurm, como afirma o neurologista Oliver Sacks, no livro “Alucinações Musicais”.

A repetição indica que a música entra e subverte parte do cérebro, forçando-o a disparar a música de maneira repetitiva e autônoma.

De acordo com o psicólogo e neurocientista canadense Daniel Levitin, da Universidade McGill, em Quebec, no Canadá, os fragmentos – e não as músicas inteiras – que ficam em nossas cabeças são simples, tanto melodicamente quanto ritmicamente.

Mas, em casos extremos, essas músicas chicletes podem ser ruins para o dia-a-dia de alguns de nós. Algumas pessoas não conseguem trabalhar, dormir ou sequer se concentrar, porque as músicas os impedem. Por isso, precisam tomar ansiolíticos, que relaxam os circuitos neurais presos na repetição.

Vale ressaltar também que esse efeito chiclete é antigo. Cientistas acreditam que a música é, de alguma maneira, uma adaptação evolucionária que ajudou os ancestrais humanos.

E tem o fato de que ela induz sentimentos, também. Certas músicas são associadas com a lembrança de alguém, ou uma emoção, ou até um estado de espírito. Basta lembrar-se de casos de esportistas que escutam músicas animadas ou agitadas minutos antes de suas competições. Quer fazer um teste? Tente levantar cedo e escutar uma música bem animada. Sua disposição será diferente.

CNN, Folha

PESQUISADORES CONSEGUEM VER IMAGEM MENTAL E DETERMINAR EM QUE VOLUNTÁRIOS ESTAVAM PENSANDO

Um estudo internacional liderado pela Universidade Cornell (EUA) sugere que é possível saber o que uma pessoa está pensando através da análise de imagens de seu cérebro.

Segundo o neurocientista Nathan Spreng, principal autor do estudo, os modelos mentais que temos das pessoas produzem padrões únicos de ativação cerebral, que podem ser detectados a partir de técnicas avançadas de imagem.

“Quando olhamos para os nossos dados, ficamos chocados por termos conseguido decodificar em quem nossos participantes estavam pensando com base em sua atividade cerebral”, disse Spreng.

Compreender e prever o comportamento dos outros é uma chave para navegar com sucesso no mundo social. No entanto, ainda sabemos pouco sobre como o cérebro modela traços de personalidade duradouros que podem conduzir o comportamento dos outros. Essa capacidade nos permite, por exemplo, antecipar como alguém vai agir em uma situação pela qual nunca passou antes.

Os pesquisadores pediram que 19 jovens adultos aprendessem sobre a personalidade de quatro pessoas com traços-chave distintos. Em seguida, eles receberam cenários diferentes (por exemplo, sentado em um ônibus quando uma pessoa idosa entra e não há mais assentos) e tiveram que imaginar como aquelas pessoas iriam responder a tal situação.

Durante a tarefa, os cérebros dos voluntários foram escaneados usando ressonância magnética funcional, que mede a atividade cerebral através da detecção de alterações no fluxo sanguíneo.

Os cientistas descobriram que diferentes padrões de atividade cerebral no córtex pré-frontal medial estavam associados com cada um dos quatro traços-chave diferentes de personalidade.

Em outras palavras, cada pessoa sendo imaginada pode ser identificada com precisão baseado unicamente no padrão de ativação cerebral do participante. Por exemplo, quando os participantes estavam imaginando o que uma pessoa com tal traço de personalidade faria, um certo padrão era visto; uma pessoa com um traço diferente correspondia a um outro padrão, e assim por diante.

Os resultados sugerem que o cérebro codifica os traços de personalidade de outras pessoas em regiões distintas do cérebro, e esta informação é integrada no córtex pré-frontal medial para produzir um modelo de personalidade global usado para planejar interações sociais.

“Pesquisas anteriores já tinham implicado o córtex pré-frontal medial em distúrbios de cognição social como o autismo, e os nossos resultados sugerem que as pessoas com esses distúrbios podem ter uma incapacidade de construir modelos precisos de personalidade”, explica Spreng.

Se dados futuros confirmarem essa hipótese, os pesquisadores podem ser capazes de identificar biomarcadores específicos no cérebro das pessoas para diagnosticar doenças, bem como monitorar os efeitos dos tratamentos para elas.

A equipe da pesquisa incluiu membros da Universidade College London (Reino Unido), da Universidade Harvard (EUA) e da Universidade de York (Reino Unido), e o trabalho científico “Imagine All the People: How the Brain Creates and Uses Personality Models to Predict Behavior” foi publicado na edição de 5 de março do jornal Cerebral Cortex.

Essa não foi a primeira vez que cientistas tentaram (e conseguiram) “ler o pensamento” de voluntários.

Por exemplo, pesquisadores da Universidade de Utah (EUA) descobriram uma maneira de pessoas paralisadas se comunicarem através do uso de implantes de microeletrodos na parte superior do cérebro. Os sinais do cérebro de pessoas paralisadas podem ser traduzidos em palavras, e resultam em informações corretas (acertando o que os pacientes querem dizer) de 76 a 90% das vezes.

Uma outra pesquisa também já conseguiu decodificar o que macacos estavam pensando. Ao estudar o cérebro dos animais enquanto eles tentavam movimentar uma bola para um alvo, a decodificação da atividade dos seus neurônios permitiu que os cientistas soubessem para onde o macaco estava pensando em mover a mão antes mesmo que qualquer movimento fosse iniciado.

Por fim, o médico Adrian Owen, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), já usou uma máquina de eletroencefalografia (EEG) para mostrar que pacientes que não apresentam sinais exteriores de consciência (em coma) são capazes de compreender o que os outros estão dizendo, bem como responder a perguntas simples.[

MedicalXpress, RedOrbit, ScienceDaily